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Jornais impressos ou online?
Os portugueses preferem os jornais impressos aos online. De acordo com um estudo do Instituto de Ciências Sociais e do Trabalho (ISCTE) de 2008, cerca de 60 por cento dos portugueses lêem jornais diários, mas apenas 21,8 por cento utilizam a Internet para se informar.
A consulta de jornais online está, contudo, em crescimento exponencial. Segundo uma pesquisa da Nielsen/NetRatings, o número de visitas a jornais online cresceu duas vezes mais do que a audiência global da Internet, em 2007.
As faixas etárias mais jovens constituem a maioria dos ciberleitores. Segundo a Associação de Jornais da América (AJA), “as edições online atraem cada vez mais as audiências jovens que não compram nem pegam nas edições impressas”.
O estudo da ISCTE mostra que a maioria dos ciberleitores considera os sites noticiosos mais credíveis do que os blogues. Os cibernautas mostram ainda uma maior preferência por sites de informações generalistas, mas também um número considerável (27,6%) procura informações sobre desporto.
“A Internet, embora não se possa afirmar que traz novos leitores para os jornais, garante uma estrutura mais equilibrada de leitores do que a existente na leitura de papel”, lê-se no documento do ISCTE.
Ciberjornalismo: uma prática emergente
A popularização das tecnologias de informação e comunicação – designadamente da Internet – impôs uma reestruturação da prática jornalística, fazendo emergir o Ciberjornalismo. Actualmente, o exercício do jornalismo baseia-se na instantaneidade, hipertextualidade, memória, multimedialidade e interactividade entre os jornalistas, fontes e público.
Para Lourenço Medeiros, a emergência do ciberjornalismo não põe em causa a imprensa tradicional. “O jornalismo não acaba por todos poderem ter melhor acesso a fontes de informação, como acontece aos utilizadores da Internet. O cidadão continua a precisar de alguém que se dedique a tempo inteiro a seleccionar, a sintetizar e a explicar. O jornalismo não acaba. Pelo contrário, ganha novos instrumentos”.
O aproveitamento pleno das potencialidades do exercício do jornalismo na Internet exige, porém, uma formação específica dos profissionais dos media: a utilização conjunta e simultânea de cada medium. Para além da redacção de notícias, o ciberjornalista deve reunir competências na captação e edição de vídeo, imagem e áudio; na criação de hiperligações, interfaces e comunidades online.
Segundo o docente da Universidade da Beira Interior (UBI), João Canavilhas, a combinação de diferentes funcionalidades deve redundar “num todo coerente, interactivo, aberto e livre navegação para os utilizadores”.
I Congresso Internacional de Ciberjornalismo em Dezembro
O Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber) da Universidade do Porto organiza o I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, nos dias 11 e 12 de Dezembro de 2008, no Porto. O tema do evento é o “Jornalismo 3D” e tem como objectivo criar um ponto de encontro de especialistas para debater as questões mais prementes do ciberjornalismo. “Os desafios colocados pela convergência e multitextualidade, o “backpack journalism”, o jornalismo face ao bloguismo, a afirmação do chamado “jornalismo do cidadão”, a inovação tecnológica e as experiências de empreendedorismo nesta área serão temas em destaque”, lê-se no site da ObCiber.
Além disso, a Universidade do Porto (UP) colocou, este ano, em marcha a primeira edição dos “Prémios de Ciberjornalismo” para reconhecer os trabalhos portugueses de cariz jornalístico desenvolvidos no ciberespaço. O ObCiber da UP – entidade responsável pela organização do concurso – definiu seis categorias: excelência geral em ciberjornalismo, “breaking news”, reportagem multimédia, vídeojornalismo online, infografia digital e ciberjornalismo académico.
As candidaturas aos “Prémios de Ciberjornalismo” estão abertas até 30 de Setembro de 2008 e os vencedores serão conhecidos no I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, em Dezembro.
1 comment June 27, 2008